Somos Johnnies – Johnny participando de ato contra o aumento da tarifa do ônibus - Meu nome é Johni

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Somos Johnnies – Johnny participando de ato contra o aumento da tarifa do ônibus

Somos Johnnies – Johnny participando de ato contra o aumento da tarifa do ônibus

Dia 3 de setembro de 2011, enquanto este que lhes escreve estava em casa puto por não ter $$ pra ir ao show do Cock Sparrer, algo muito mais importante, triste, revoltante e trágico acontecia em frente à casa noturna onde a banda inglesa se apresentava; Johnny Raoni Falcão Galanciak (foto acima), de 25 anos, era brutalmente assassinado por um nazista. Preso, o principal suspeito pela morte, Guilherme Lozano Oliveira, nazista conhecido como 13, tem apenas 20 anos. Mesmo com pouca idade, é figurinha carimbada, conhecido da polícia há tempos.

Eu não era amigo de Johnny, o conhecia de manifestações que cobri. Manifestações, esse cara estava em várias… Certa vez, cheguei a comentar com um colega “esse moleque aê é atentado!”. A palavra “atentado” usei para elogiar, admirava a maneira – mesmo que, por vezes, imprudente – com que agitava nos protestos. Johnny não corria, tomava a frente. Não direi que essa característica o matou, pois quem fez isso foi um skinhead nazista, um representante de ideias que permanecem livres e perigosas. Ele foi mais uma vítima desta sociedade passiva, quem esfaqueou o Johnny foi um membro de grupo neo-nazista porém o comportamento desse tipo de grupo é alimentado pela permissividade de muitas pessoas e, principalmente, do Estado. Lembrando que Estado não é um ser, é constituído e sustentado por pessoas, ou seja, tem seus responsáveis.

O que me deixa mais triste é ver esse tipo de atrocidade ser reduzida pela mídia a um “confronto entre gangues”. Sensacionalismo vende mais “notícia”, e o problema é pormenorizado. A grande imprensa dá o aval necessário para os nazistas continuarem esfaqueando Johnnys, homossexuais, negros, nordestinos, esquerdistas, libertários e quem mais eles quiserem. Pois uma briga de gangues, um confronto entre grupos rivais, vende muito mais!

O Estado toma para si a responsabilidade de nos defender, para isso, nos tira o direito e os meios de fazê-lo.  Ao mesmo tempo não pune, não nos protege do fascismo. A molecada pobre se vê perseguida e, cansada de ser agredida,  junta-se para tentar assegurar sua integridade física. É a indiferença que a sociedade tem com a segurança do jovem pobre que cria as “gangues” antifascistas, é uma questão de necessidade de autopreservação.

Espero que a morte de Johnny Raoni Falcão Galanciak não tenha sido em vão. É hora de parar de subestimar o fascismo, parar de achar que é coisa do passado e que hoje não tem força.

Autoria: Desconhecida

09/11/2013 | Autor: Comunidade Johni Raoni

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