Saída do Olodum, no Pelourinho, tem protesto contra assassinatos de jovens negros e Lei Rouanet
Desabafo no carnaval
Em pleno segundo dia de carnaval (05/02) o Olodum faz críticas ao descaso das autoridades em relação à violência cometida contra jovens negros baianos (vide matéria abaixo). Segundo dados revelados pela imprensa o número de jovens negros assassinados atualmente na capital baiana é assustador e, o pior de tudo é que na maioria das vezes estas mortes são caracterizadas como execuções. Isto se configura porque apesar da capital baiana ser considerada uma das maiores concentrações da população negra do país, ainda existe muita marginalização desta parcela majoritária da população. No caso específico dos jovens referidos, muitos deles são aprendizes de pequenos furtos, mas pessoas recuperáveis com uma educação de qualidade. E infelizmente é justamente isto que falta em nossa sociedade, além, é claro, de um maior incentivo ao patrocínio de eventos culturais e de Ongs realmente comprometidas com a melhoria na qualidade de vida destas pessoas.
(Por Patricia)
Saída do Olodum, no Pelourinho, tem protesto contra assassinatos de jovens negros e Lei Rouanet
POR BLOG ALALAÔ
GABRIEL CARVALHO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHADE SALVADOR
Evento tradicional da folia de Salvador, a saída do Olodum, que ocorre todas as sextas-feiras de Carnaval, foi bastante movimentada este ano.
Com bonecos gigantes do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, do atacante do Barcelona Neymar, além de mensagens de protesto contra a Lei Rouanet e os assassinatos de jovens negros no país, o grupo formado por 1.500 foliões saiu do Pelourinho com destino ao Campo Grande para cumprir o trajeto de dois quilômetros de desfile.
Em tom de desabafo, o presidente do Olodum, João Jorge, afirmou que o bloco, que em 2016 completa 37 anos, tem dificuldades em obter patrocínios da iniciativa privada, pois “a Lei Rouanet só atende o interesse das empresas e não procura incentivar a cultura, necessitando urgentemente de uma revisão”.
Jorge também disse que, neste ano, o bloco inicia uma nova fase: desfilar para o folião pipoca, sem a necessidade das cordas que os separam dos associados. “Teremos um dia sem cordas, pois é necessário democratizar o carnaval”, avalia.
Ele também lamentou os dados do Mapa da Violência, segundo os quais, dos 30 mil jovens assassinados em 2012, 77% eram negros. “São pessoas que poderiam ser resgatadas.”
Saída do Olodum, no Pelourinho, em Salvador (Gabriel Carvalho/Folhapress)
Vestidos com roupas que simbolizam o grafismo da arte popular, os integrantes do Olodum abusavam das cores e também homenageavam a indumentária indígena.
O batuque forte e a sincronia dos tambores e atabaques pareciam mexer com os adeptos do bloco. Um grupo de quatro estrangeiros saiu da cidade de Valdivia, no Chile, enfrentando mais de 30 horas de viagem para ver a banda. “Conhecemos o Olodum pela internet, mas pessoalmente a banda mexe com todos os sentidos. Valeu a pena enfrentar 22 horas de estrada e oito de voo”, afirmou o comerciante Patrício Perez.
>A enfermeira Sindy Garcia disse que estava impressionada com a quantidade de tambores. “É um bloco que consegue unir africanos, sul-americanos e europeus num só ritmo”, disse. A baiana Cristina Santos, que acompanha a trajetória do Olodum há mais de 30 anos, disse estar emocionada e agradecida de acompanhar mais um desfile.
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