Golpeando conquistas
Artistas assinam manifesto e fazem ato contra impeachment de Dilma
NICOLA PAMPLONA
DO RIO
Mais de 1.200 escritores e profissionais da área editorial assinaram manifesto “pela defesa dos valores democráticos e pelo exercício pleno da democracia em nosso país”. O documento tem assinaturas de Chico Buarque, Antonio Candido, Slavoj Zizek, Leonardo Padura, Raduan Nassar, Aldir Blanc e Milton Hatoum, entre outros.
Até o momento, são 1.267 signatários. O manifesto foi lançado na página do Facebook “Escritores e profissionais do livro pela democracia” e pede a mobilização de profissionais da área nas ruas “pela resistência ao desrespeito sistemático das regras básicas que regem a sociedade de direito”.
O texto questiona ainda a “indesejada tomada de partido por setores do Poder Judiciário”.
“Não podemos imaginar a livre circulação de ideias em outra ordem que não seja a da diversidade democrática, gozada de forma crescente nas últimas décadas pela sociedade brasileira, que é cada vez mais leitora e tem cada vez mais acesso à educação. Ainda podemos nos recordar facilmente dos tempos obscuros da censura às ideias e aos livros nos 21 anos do regime ditatorial iniciado em 1964”, diz o manifesto.
Um dos idealizadores do movimento, o livreiro Daniel Louzada, escreve que o setor tem que se posicionar contra “listas negras” e ameaça de boicotes de artistas, no momento em que o debate político se polariza no país.
Na noite de segunda (21), o grupo “Teatro pela democracia” promoveu ato na Fundição Progresso, espaço cultural na Lapa, região central do Rio, para se posicionar contra o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
“Nós, artistas, que desempenhamos papel histórico fundamental na resistência à ditadura militar, não faltaremos com nossa contribuição em um momento como o que se apresenta. Não se trata de partidarismo. O fazer político não pressupõe filiações institucionais”, diz o manifesto divulgado pelo grupo.
Com o auditório cheio, o ato teve participação do ator Gregório Duvivier (também signatário do manifesto dos escritores) e da poeta Elisa Lucinda, entre outros.
Golpeando conquistas.
O momento político atual é muito delicado. Infelizmente, uma parcela dos brasileiros pensa que faz justiça indo às ruas se manifestar contra a corrupção, tendo como alvo apenas a alta cúpula do PT e seus filiados. A questão começa pelo presidente da Câmara dos deputados que, sinceramente, não sabemos o que ainda está fazendo no cargo de tamanha responsabilidade. Aí nos parece claro que o Eduardo Cunha está num jogo de queda de braço com o governo. Ele adota posturas de abuso de poder para conseguir o seu objetivo: afastar sua inimiga política do cargo da presidência o mais rápido possível. Vergonha tão grande para o país permitir que um indivíduo com o currículo do Eduardo Cunha conduza o processo de afastamento da presidente. Compartilhamos do pensamento deste manifesto, por entendermos que, na condução do processo de impeachment não há parcialidades. Caso houvesse, reconheceriam que estas investigações deveriam ter começado há muito tempo e, que existem mais pessoas envolvidas do que se imagina. Querer apontar o Lula, como o responsável pelo rombo na Petrobrás, antes mesmo de concluídas as investigações e, querer crucificar a Dilma aproveitando o clamor público é um golpe à democracia brasileira ainda mirrada. Outra preocupação nossa é com a falta de opção de candidatos para a eleição de 2018 e, com a possibilidade do nome do Bolsonaro soar como uma saída. Não esqueçamos que, este indivíduo é o ídolo dos neonazistas. E o que isto quer dizer? Na nossa forma de entender, isto significa um grande retrocesso político e social para a conjuntura nacional, assistirmos o clamor de pessoas pelo seu nome e pelo seu pensamento retrógrado.
Por Patricia