Justiça contra Neonazistas
Acho a iniciativa do blog muito importante, para podermos escrever sobre o Johni. Não só por ele ser muito querido por nós, mas por sua vida revelar uma face desconhecida e cruel da nossa sociedade: o Johni nos levou a conhecer o julgamento precipitado e tendencioso da imprensa desinformada, o sistema de detenção provisória e a justiça lenta que parece não querer enxergar ou se importar com as reais circunstâncias de sua morte: um ato deliberado de covardia praticado por facínoras que ainda estão soltos e sequer foram indiciados.
Mas escrever é muito mais difícil do que parece, penso muito mais do que falo por que para nós é uma ferida com uma casca muito fina… ao escrever isso também choro, lamento muito o Johni ter perdido sua vida tão brutal e estúpida, mas para ele era inaceitável, e realmente é, que não se combata o neonazismo.
A sociedade persegue o punk que mostra sua cara quando propaga a liberdade, e finge não ver e não punir os crimes de preconceito, discriminação, violência e morte praticado por grupos neonazistas.
No final do velório de Johni chegou um menino de quinze anos que veio andando da Brasilândia até o Araçá, para lhe prestar homenagem. No mês anterior este menino havia sido vítima da violência fascista quando estava andando na calçada: por usar cabelo moicano foi pego pelas costas por rapazes num carro que o arrastaram com o carro em movimento. Ele se quebrou todo mas não morreu.
E o que falar dos jovens jogados pela janela de um trem em São Paulo? Um teve o braço amputado e o outro perdeu a vida por estarem com camisetas do Ramones? O julgamento demorou oito ou dez anos, e os suspeitos aguardaram em liberdade e mesmo tendo sido condenados à trinta anos de prisão, aguardarão o recurso em liberdade! Johni morreu há dois anos e iremos esperar mais quanto tempo? Felizmente o julgamento está chegando pois o acusado de matar Johni não entrou com o recurso por ter sido pronunciado ao juri popular, como fizeram os acusados da agressão ao outro jovem, o que levou o processo a ser desmembrado.
Essas histórias precisam vir à tona, para abrirmos os olhos e esse blog abre esse espaço.
Quanto ao Johni, ele ainda é muito vivo para mim, sua família, irmãos e amigos, nas pitangueiras, macieiras, alimentadas por suas cinzas… nas crianças crescendo, nas coletâneas que ele gravou para passeatas, shows contra a fome… Há muita história para contar!
Viva Johni!
Tatiana Uva