Júri de neonazista paulistano deixa polícia em alerta - Meu nome é Johni

Meu nome é Johni
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Júri de neonazista paulistano deixa polícia em alerta

Júri de neonazista paulistano deixa polícia em alerta

Grupos de punks e neonazistas se dividem em São Paulo para um evento jurídico, no próximo dia 27 de maio, terça-feira, pela manhã, no Fórum Criminal da Barra Funda. Trata-se do julgamento de Guilherme Lousada, 23 anos –acusado de ser um dos executores de Johni Raoni Falcão Galanciak.

Punk, e portanto inimigo figadal dos neonazistas (como prevê o código de comportamento de tais gangues), Johni Raoni Falcão Galanciak morreu esfaqueado, com dez golpes. Era o dia 3 de setembro de 2011, dia de um show da banda Cocker Sparrer, no Carioca Clube em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Eram 7 horas da noite quando os neonazis tocaiaram Johni Raoni Falcão Galanciak e seus pares punks.

Mesmo com atendimento tardio,  Johni ainda viveu por hora e meia. Levado ao Hospital das Clínicas, morreu às 20:42h. “Meu filho ainda teve tempo de balbuciar o nome do acusado Guilherme Louzada como autor da última facada”, disse a este blog a mãe de Johni, Patrícia Conceição, moradora de Salvador.

Johni Raoni Falcão Galanciak, nascido em São Paulo no dia 10 de maio de 1986, era um dos ícones dos grupos punk de São Paulo. O perfil que os amigos lhe compuseram assim o define:

“Sua feroz oposição aos neonazistas tem sua origem no fato de que seu avô paterno, sendo polonês, tenha passado pelos horrores provocados pelos hitleristas durante a II Guerra Mundial (1935-1945). Sua entrada para o Movimento Punk deve-se em parte ao fato de seu pai ter sido integrante como vocalista e compositor da banda Excomungados (1982-1996). Outro motivo e o mais decisivo talvez, tenha sido sua indomável rebeldia ou revolta contra as injustiças do cotidiano desta sociedade materialista em que vivemos. Johni era uma pessoa contraditória, embora adotasse o punk como estilo de vida, não era individualista, era solidário e ingênuo muitas vezes. Em abril de 2001, prestes a completar 15 anos, Johni foi à um evento em comemoração aos 25 anos do Movimento Punk realizado na Funarte (SP), organizado por Antonio Bivar e Ariel da banda Invasores de Cérebros .”

site que os amigos lhe consagram revela que Johni se meteu em estripulias ele também:

“Em outubro de 2007 após um show da banda novaiorquina Casualities, no Hangar 110 (Bom Retiro) cerca de 10 nazi-skin entraram em confronto com um grupo de punk. O líder do Front 88 foi espancado em plena Av. Tiradentes. A polícia, guiada pelos nazi-skins e sem provas nítidas, prendeu nove punks, todos pelo visual. Entre eles estava Johni, que ficou um ano e meio preso no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros. Johni foi solto em maio de 2009, considerado inocente por falta de provas, e retomou com maior vigor suas convicções.”

Mas a mãe Patrícia Conceição diz que a tocaia que vitimou Johni foi a crônica de uma morte anunciada. “Esse Guilherme, que vai ser julgado pela morte de meu filho, foi almoçar algumas vezes em casa, quando morávamos na zona oeste de São Paulo. Eu nunca o vi com bons olhos, porque um dia ele disse simplesmente que havia mudado de punk para neonazista e que meu filho, e seu amigo, passava a ser inimigo mortal. E olha que até um cachorro demos de presente a Guilherme”.

O julgamento promete reanimar velhos e santos ódios que punks e neonazistas paulistanos se nutrem mutuamente.

Fonte: Blog do Claudio Tognolli

19/05/2014 | Fonte: Blog do Claudio Tognolli | Autor: Comunidade Johni Raoni

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