Trecho dissertativo sobre o caso johni Raoni
O trecho que veremos a seguir foi extraído de uma dissertação de mestrado, defendida em 2012. Somente há alguns dias conseguimos visualizá-la. Apesar do descuido do autor em fazer afirmações errôneas sobre o caso Johni Raoni, o seu trabalho traz algumas contribuições para entendermos como a nossa mídia costuma manipular informações, adotando uma postura irresponsável com os fatos, ao fazer uso deles de forma a deturpá-los. Acusações sem fundamento, manchetes impactantes e falta de profissionalismo são apenas alguns dos métodos usados por estes “jornalaleiros” para venderem seu peixe. Só que estes supostos profissionais da imprensa parecem se esquecer de que as pessoas estão mais espertas e não aceitam qualquer tipo de mentira com maquiagem de verdade.
Trecho da dissertação:
“A mídia de massa constitui um grupo detentor de um grande poder no âmbito do discurso, uma vez que esse grupo tem acesso e pode controlar as informações que vão a público. O movimento punk, por outro lado, representa diversas minorias na sociedade e sua principal ferramenta de divulgação de ideias é a arte, principalmente a música. O discurso punk, porém tem um alcance bastante limitado em comparação com a mídia de massa. Tendo em mente essa assimetria de poder, analisamos, nesta dissertação, o discurso da mídia em relação ao punk brasileiro. Desde sua chegada ao Brasil, o punk é alvo de várias confusões, acusações e controvérsias. Sem o mesmo destaque que teve nos anos 1980, o movimento punk, hoje em dia, não tem muita expressividade na mídia de massa. Quando ele é veiculado, em geral, é em razão de algum episódio que envolva violência física ou crimes. Em novembro de 2011, um caso de briga entre punks e neonazistas acabou com um punk morto e um neonazista gravemente ferido. Esse acontecimento teve um destaque notável na mídia, diversos periódicos e programas televisivos abordaram o assunto e até dedicaram programas inteiros para falar sobre o assunto.
[…] A partir das análises dos dados obtidos, concluímos que o punk, enquanto objeto do discurso da mídia de massa, adquire um caráter bastante negativo e estereotipado. O indivíduo punk é visto como um sujeito perigoso, ligado ao crime e a situações violentas, além de ser, segundo o estereótipo criado, preconceituoso e agressivo. Entendamos que diversas informações divulgadas pela mídia são manipuladas e manipuladoras [e isto acontece] quando um grupo com mais poder abusa de sua posição favorável para informar as pessoas de modo parcial, isso gera uma compreensão incompleta do evento sobre o qual se fala no discurso. Apesar de não negarmos que o movimento punk manifesta-se de modo violento algumas vezes, notamos que ele, em muitos casos, é alvo de discursos manipuladores, o que gera um estereótipo majoritariamente negativo.” César A. Melão